
Sono tutti fratelli
27/06/2009Há 150 anos nasceu uma idéia. Um viajante de Genebra passava por Solferino, no norte da Itália, e foi testemunha de uma sangrenta batalha entre os exércitos da França e da Sardenha, liderados por Napoleão III, contra o exército austríaco. Estima-se que 40.000 homens foram mortos ou feridos.
O que chamou a atenção deste homem, chamado Henri Dunant, não foram as repercussões políticas da guerra, nem as oportunidades de negócio em torno da mesma (ele nunca foi bom aluno nem comerciante). O que o sensibilizou foi o completo desprezo pelos combatentes feridos, morrendo ou mortos. Ele interrompeu a viagem e coordenou o tratamento destas pessoas de uma cidade próxima.

"Aqui está um combate físico em todo o seu horror e assombro."
Voltando para Genebra, Henri escreveu sobre a experiência no livro “Uma Memória de Solferino” (não consegui achar uma versão em português) e, de um pequeno apartamento a idéia cresceu em discussões que ele teve com 4 amigos até que, cinco anos depois, a primeira Convenção de Genebra foi assinada por 16 países e a Cruz Vermelha criada.
Do horror presenciado em Solferino, da Humanidade em seu pior momento, Dunant não procurou acabar com a guerra, mas melhorar as condições no campo de batalha. Um pequeno gesto que mudou o Mundo de forma fundamental. Mesmo em nosso pior momento, quando matamos uns aos outros por motivos vários, desde o pioneirismo de Henri Dunant temos acordos que regem esta violência, para que ela não se espalhe mais do que o “necessário”.
Desde então a Cruz Vermelha aumentou e se diversificou. Existe uma Federação de Organizações da Cruz Vermelha, a Crescente Vermelha no mundo islâmico e até o Diamante Vermelho, criado para que Israel entrasse para a comunidade das nações que respeitam e defendem a Convenção de Genebra.
A guerra também mudou nestes 150 anos. Atualmente 90% dos feridos nas guerras são civis. A Cruz Vermelha já não trata somente dos soldados envolvidos na batalha, mas tem como principal papel garantir a segurança daqueles envolvidos na violência, desde os seus primeiros momentos até a reabilitação pós-conflito, distribundo materiais, ferramentas e até sementes para ajudar no reestabelecimento da comunidade.

Vários símbolos, um só ideal
Mas, entre todas as contribuições que estas organizações oferecem, a maior delas é promover a aproximação das pessoas neste momento tenebroso, fazendo que inimigos levantem a cabeça e olhem um para o outro sem o rancor do conflito, protegidos em um local neutro e sendo tratados igualmente. Como as mulheres que ajudaram Dunant naquele primeiro resgate humanitário muito bem disseram, fazer com que eles percebam que sonno tutti fratelli (são todos irmãos).
